HISTÓRIA E NORMAS TÉCNICAS


Utilizados desde 4.000 A.C. pelo homem, os materiais cerâmicos se destacam pela sua durabilidade, além da abundância da matéria-prima (argila) utilizada. Não se sabe exatamente a época e o local de origem do primeiro tijolo. Possivelmente foram os romanos os primeiros a utilizar o produto na forma que conhecemos hoje, registrada através das ruínas desta civilização que dominava o processo de queima da argila.
Presume-se que a alvenaria tenha sido criada a cerca de 15.000 anos, pois necessitando de um refúgio natural para se proteger do frio e dos animais selvagens, o homem decidiu empilhar pedras.
No entanto, quando a pedra natural começou a se escassear, o homem passou a substituí-la pelo tijolo seco ao sol.
O registro mais antigo do tijolo foi encontrado nas escavações arqueológicas em Jericó Oriente Médio, no período Neolítico inicial.
A unidade de alvenaria (tijolo) era uma peça grande em forma de pão, seca ao sol, pesando em torno de 15Kg. Nestas unidades de barro, conformados à mão, se encontram marcados os dedos do homem neolítico que as elaborou.
Uma forma – a cônica – é de interesse, pois se repete e está presente em lugares distantes sem ligação direta e em situações semelhantes. As unidades cônicas se encontram em muros construídos, por exemplo, na Mesopotâmia, há cerca de 7.000 anos, e na zona da costa norte do Peru, no Vale do Rio Chicama.
Através das investigações realizadas nos últimos 40 anos, sabe-se que a alvenaria tem se racionalizado.
Em 1954, na Suiça (Zurique) foi construído o primeiro edifício com muros de alvenaria desenhados racionalmente. Com 20 andares, os muros de alvenarias têm 32cm de espessura, determinados príoritariamente por condições de isolamento térmico. Desde então, o uso do sistema tem se disseminado.
Entre os principais itens a serem destacados no desenvolvimento da alvenaria estrutural, atualmente, citamos:
A produção de componentes adequados para a alvenaria armada com aço horizontal e verticalmente, viabilizando maior competitividade econômica da alvenaria;
nos países em desenvolvimento é observada a conscientização da importância do uso da alvenaria como material de construção civil, permitindo até habitações de interesse social.
Face o exposto acima, encontram-se em andamento programas de pesquisas e a atual introdução da disciplina de alvenaria estrutural nos cursos de engenharia e arquitetura.
Cumpre salientar que este processo está sendo adotado nas maiores universidades do país e encontra-se em discussão nas demais.

Os blocos cerâmicos são componentes construtivos utilizados em alvenaria (vedação, estrutural ou portante). Apresentam furos de variados formatos, paralelos a qualquer um dos seus eixos.
São normalmente produzidos com argilas ricas em juta (tipo taguá) e argilas montmorilonitas.
A conformação ocorre por extrusão, onde a massa de argila é pressionada através do molde que dará a forma da seção transversal. A coluna extrudada obtida, passa por um cortador, onde se tem a dimensã o do componente, perpendicular a seção, transversal. Posteriormente os blocos são submetidos a secagem e a queima éfeita a temperaturas que variam entre 9000C e 11 000C.

São dois os tipos de blocos cerâmicos utilizados na construção civil, produzidos no Brasil.

Bloco de vedação
São aqueles destinados a execução de paredes que suportarão o peso próprio e pequenas cargas de ocupação (armários, pias, lavatórios, etc), geralmente utilizados com furos na horizontal e com atual tendência ao uso com furos na vertical.

Blocos estruturais ou portantes
São aqueles que além de exercerem a função de vedação, também são destinados a execução de paredes que constituirão a estrutura resistente da edificação (podendo substituir pilares e vigas de concreto). Estes blocos são utilizados com os furos sempre na vertical.
Quando apresentam elevada resistência mecânica, padronização das dimensões, concorrem técnica e economicamente com as estruturas de concreto armado.

OBS: Com relação a proporção de furos ou canais, os blocos estruturais podem apresentar um percentual de 25% a 40% da área bruta, se comportando como tijolos maciços (componente sem furos), sem a necessidade do uso do graute.
Já os blocos com percentuais de furos mais elevados, conforme a solicitação que será submetido, poderão ser ou não reforçados com graute.

Alvenaria Estrutural com Blocos Cerâmicos
Na alvenaria estrutural as etapas de execução são realizadas de forma simultânea e integradas, ao contrário das estruturas de concreto armado, exigindo do operário o desempenho de várias atividades;
Obtém-se uma construção racionalizada e modularizada, com a redução de materiais e mão-de-obra nas fases subseqüentes, como o reboco e o acabamento final;
Na alvenaria com blocos cerâmicos o consumo de aço é bastante inferior ao consumo deste material no concreto armado.

  • Leveza (decréscimo do custo das fundações)
  • Isolamento térmico e acústico
  • Propicia a construção racionalizada
  • Simplifica o detalhamento de projetos, facilitando a integração dos mesmos
  • Diminuição do desperdício dos materiais (componente, argamassa de assentamento e reboco)
  • Decréscimo na espessura de revestimento (emboço ou reboco)
  • Canteiro de obra menos congestionado e espaço mais limpo
  • Facilita a prumada das paredes
  • Permite a utilização de componentes pré-moldados (vergas, contra-vergas etc)
  • Facilita a execução das instalações hidro sanitárias e elétricas, no caso de blocos especiais (aqueles que apresentam espaços pré-definidos para as instalações)

As Normas Brasileiras chamam de blocos as peças com furos. Existem as seguintes normas específicas sobre o assunto:
NBR 7171 – (1992) – Bloco Cerâmico para Alvenaria – Especificação
NBR 8042 – (1992) – Bloco Cerâmico para Alvenaria – Formas e Dimensões – Padronização
NBR 8043 – (1993) – Bloco Cerâmico Portante para Alvenaria – Determinação da Área Líquida
NBR 6461 – (1983) – Bloco Cerâmico para Alvenaria – Verificação da Resistência à Compressão

As alvenarias estruturais com blocos cerâmicos possuem bom desempenho térmico e maior durabilidade que as alvenarias com outros tipos de blocos, uma vez que nas primeiras, as deformações em função das variações térmicas são extremamente inferiores.